28 junho 2005

Vitrine Ocular [1]



Ela,uma jovem mulher destoante,porém não tanto quanto queria,onde tudo que precisa está nela mesma,ali dentro,no mais inantigível ponto "culminante e obsoleto",embora não saiba o que seja culminante e obsoleto e nem saiba se as palavras combinam e se pergunta porque as palavras precisam combinar para ela expressar o que sente,e se pergunta porque precisa expressar o que sente e decide parar de pensar sobre esse novelo sem fim de indagações que ela trata como um arquivo esquecido no seu cérebro, o grande armário sem fim.

Pensando como deveria fazer para transformar um pedaço daquele novelo sem fim de indagações em uma manifestação sutil e arrebatadora [sim agora estas palavras combinam e ela nem precisa expressar o que sente] com a ajuda apenas de um lápis e um caderno velho de paginas meio amareladas e rabiscos nas pontas dobradas o que indica que ela já o tinha usado em várias outras noites frias e ventosas como essa,em que ela caminha perdida em seus desvarios enrolada num cobertor xadrez bordô,preto e cinza,que arrasta a ponta na calçada molhada pela chuva da tarde,tocando os fiapos das pontas em seus pés gélidos pelo frio de mais ou menos 16 graus,quase 15 até que Ela pára num banco de praça umido.Senta,abre o Buarque que não conseguia ler mas que agora,naquela noite,havia convidado-a para um encontro ao ar livre na praça da cidadezinha fria do interior.O caderno ciumento ali,bem abaixo,observando atento e possessivo o Buarque atrevido e sedutor que lhe tirava a atenção da moça.

Ela senta,olha ao redor aquele povo cotidiano e metódico do interior que a observa como um estranho no ninho,um doce, meigo, adorável e destoante estranho no ninho que reverencia a todo instante aquela gente humilde.Atenta à todos os movimentos sutís ou abruptos daquele ballet inocente interiorano,como o menino que corre atrás do cachorro ou a mulher que corre atras do marido e bate nele nas costas enquanto o moleque que vai atrás do casal ri curioso e não distancia,quer saber onde vai dar a discussão,Ela cruza as pernas num gesto afável como se acariciasse o banco e pedisse permissão para estar ali.Respira longamente o ar umido da noite perfumado pelas flores no canteiro à suas costas.Perde ali a contemplá-las alguns minutos e sente-lhe o cobertor cair sob a perna e o vento gelado acariciar seus ombros,que ela num gesto casto e envergonhado recobre com a manta quente.

Acaricia o Buarque e põe o caderno enciumado de lado no banco.O rosto rubro de vergonha recente e frio se encobre de um brilho gostoso de expectativa,expectativa do conhecer daquele mundo novo que abrira com as mãos e aquela sensação de poder e controle do mundo e da vida daqueles personas que a manipulará reciprocamente ali adiante,páginas adiante,mas ainda é a primeira que a prende nos olhos.
Posted by Hello

11 junho 2005



Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo...
— mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaçoscheios da tua Figura.
Tudo mentira!
Mentirada lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecilia Meireles

A vida só é possível reiventada, e o chão de terra tem um cheiro de molhado
frio esse chão que agora piso às gargalhadas,e o sol que agora bate em minha cara
cega como um flash,fotografando lá de cima
essa feliz-cidade infinda no meu rosto
de vida recomeçando....

surpiro] Sentir o cheiro das rosas abrindo felizes
pois sim,eu retornei
altiva,lépida e fagueira
a boa molecagem tilintando nos olhos...

Para àqueles que minha ausência era notória
tirem os sapatos,afrouxem as gravatas
EU VOLTEI!

=]

Posted by Hello

02 junho 2005


DEsanimo total...


Ultimamente não ando com inspiração pra letras...escrever que era um vicio,um balsamo,uma diversão..acabou por tornar-se um martírio nesses ultimos dias.Então desculpem pela demora!

Tantas coisas acontecem numa velocidade que você julgava existir apenas nos sonhos de Spielberg,e você de tão tonto fica inerte vendo as coisas acontecereme num pode fazer nada,está impotente!!!Sensação castradora essa,de querer doar-se ao mundo e te freiam pelos pés cortando-lhe as asas.

Deixo a vocês essa dadiva:

- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- a gente só queria o amor...
- Deus às vezes parece se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar

- Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar

Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora esta de bem

Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar

Diz quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além.
Vão dizer
que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair

Posted by Hello