Vitrine Ocular [2]

Com grande êxtase, e um arrempedimento viceral de não tê-lo feito antes,Ela devora uma a uma as primeiras páginas.Tremendo involuntariamente por conta do frio,ela vai virando as páginas com uma certa dificuldade até que seus olhos desviam das paginas e de Zambraia,e recaem num portão estreito de metal.
No "ton..tontintanton" daquelas cordas de aço que não larga insistente há uns dias,Ele tenta amenizar as dores que fustigam aquele peito atlético,inflamado, maltratando-o.Abandonado o desleixo em que se escodera,cortou o cabelo e fez a barba,numa atitude totalmente impulsiva.Atitudes impulsivas enchem o peito de esperança,talvez fosse isso o que ele buscava através de tal rompante.Mas a campainha toca e é alguém pra lhe falar sobre algo totalmente dispensável naquele sábado em fim de tarde.Ele desce a escada estreita acompanhando a visita inoportuna,ele queria muito estar de volta ao calor do seu quarto,pois a noite estava realmente fria,e dava respostas instintivamente automáticas,pois nem conseguira ater-se ao fato que havia levado o rapaz até ali e tirá-lo do mundo privado em que imergira.A camisa que lhe falta ao corpo o faz tremelicar impaciente,e Ele encerra o assunto com um "depois a gente vê o que vai fazer" e dá uma olhada geral na rua pouco movimentada àquela hora,suspira arfando o peito e sobe a escada de volta à sua casa.
Estática e atenciosa ela acompanha o rapaz se depedir da visita e subir as escadas apressado."É tão belo",Ela pensa, e tenta voltar-se ao livro inutilmente,pois a visão recente dele subindo as escadas tomou conta de toda a sua concentração e ela olha novamente o portão de metal estreito.Fecha o livro na página em que estava lendo e senta-se mais ereta no banco,como se estivesse se preparando pra sair.Tudo nela pedia que fosse lá,subisse os degraus e falasse com ele,mas parecia que suas pernas não obedeciam.Fechou os olhos com as mãos no rosto,refletindo se realmente seria um idéia não tão absurda subir,respirou fundo, levantou-se decidida e andou como se marcha-se imponente em direção a porta de madeira bem talhada no alto da escada.
De fronte à porta ela recua vacilante mas,não,não ia desistir depois de ter chegado tão perto.Já havia desistido outras vezes das quais se arrepende dolorosamente.Bate na porta e abre uma mulher de 'bobys" e maquiagem pela a metade deixando a mostra uma sala cheia de mulheres que conversam estusiasmadas enquanto fazem cabelo,unhas,querem estar impecáveis naquela noite de festa.Logo Ela é conduzida ao quarto do rapaz que a pede que entre.Ela entra temerosa,afinal não é do seu costume entrar assim em quartos masculinos.

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