02 novembro 2005


Ad core

Meu corpo padece
Com o efeito de tuas palavras
Que florescem da boca d'onde saem
E farpam meu coração
Com verdades indecisas
(Ou mentiras sinceras?)

O abismo me pareceu tão bonito
O ar tão mais respirável
O céu tão mais fulgente
Um sopro de liberdade me possuiu
De braços abertos...
Num mergulho para romper melancolias...
Quando no transcender da queda
Tua mão suave e forte me adiou
Por mais um pouco de dor e desalento
A paz que é estar
Longe deste olhar algoz.
Monique Lima
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Pensamentos tortuosos de uma caixa de recordação



Luz...
De repente turva a visão e pareço ter saltado em retrocesso para um sonho esquecido e não realizado.Olho em volta,não reconheço o ambiente,mas parece algo bem aconchegante,um ar familiar que aos poucos me deixa relaxar.

Zonza,tento achar algo que aponte um indício,mexo-me devagar,quase um dengo,não sei por qual motivo,mas assim o faço,como em uma dança desalinh... o coração palpita vorazmente,falta ar,tensão,apreensão...sinto um leve tocar de lábios chegar ao fim. Como num repente borboletas farfalhavam no estômago a cada leve toque daquela presença suave e tão irrespondivelmente boa.

Foram momentos inexplicavelmente entorpecentes...como um mergulho insano num precipício...Tudo reluzia um azul brilhante...palavras ofegantes...beijos encharcados de carinho...E numa nesga de respiração o suspiro chega ao fim!

Tudo começou ao tocar os pés do arcanjo.

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