Par [t] indo...

Ela saiu apressada.
Um jeito aflito,
Lagrimas nos olhos.
A roupa menos alinhada.
Nem fala mais elegantemente comigo,
Uma pressa.
Ela partiu correndo,
Sem me deixar agir.
Partiu.
Cabelos soltos sem cuidado,
Sem sapatos.
Ela corre longe desesperada.
Está chovendo.
É sal de dor dentro da chuva.
É só o vento acalentando,
O choro dela.
Ela partiu sem que eu pudesse
Segura-la à tempo.
Ela fugiu quando eu sonhava.
Nem falou com elegância comigo.
Nem sorriu...
Riso raro.
Ela nunca mais sorriu como antes.
E nem vestia-se mais elegantemente.
O brilho nobre anuviou-se.
Ela estava triste.
Não me castrava mais.
Nem expandia.
Não entrava mais impetuosa em minha sala.
Esperava convite.
Esperava.
Coisa que jamais faria sendo quem é.
Era outra.
Era eu.
Como pode?
Tanto me incriminou,
Criticou e reprimiu.
Tornou-se a mim mesma.
Enfraqueceu e se cansou.
Fugiu.
Bela e triste.
O desleixo caiu bem sobre ela
Seu tom atrevido de antes me incomodava.
Saiu desembalada,
Como o grito que despertou a falta dela.
Eu tentei segurar.
Ela não deixou.
Me olhou com olhos de adeus,
E partiu.
Me deixou seguindo-a distante,
E cada vez mais.
É infinita a agonia fina.
Ela fugiu.
Como uma deusa.
Monique Lima 19/02/2006 23:14

4 Comments:
mto bonito!!
o que eu posso dizer de algo tão belo?
acho que a única mensagem possível é: queria eu escrever assim
um abraço :)
Estou impressionada. Só posso dizer que vc escreve muito bem.
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