22 março 2006

Epitafio


Seu amor desapregou-se de mim em calafrios
Balouçando febrilmente frente-trás.
Vossa alma já dormente adoecida
As feridas renitentes à sarar.

Teu cheiro se apegou aos meus apelos
Me buscando dia e noite a sós estando,
Tua boca ainda está pelo corpo
Tateando labilmente sem cessar.

No meu corpo cabe mais de mil amores
Mas de ti se sacia sem te ter.
Esses olhos padecem tão tristonhos
Olhos meus tão cansado sem te ver.

Minha mão em ti repousa toda noite
O peito meu vigiando adormecer.
Se um dia acordar de mim vazio
Venha cedo,em um embalo,vem me ver.


Monique Lima
21/03/06

10 março 2006


Não vou enganar-te
tenho medo..
de até onde meu pensamento possa chegar
numa noite como esta.

não vou enganar-te
tenho medo..
de escolher pés errados com os quais eu deva caminhar
esses passos incertos sustentados pelo que foi vivido
e a cada impulso dado sinto o nada sob os pés
num récuo de olhar sobre o passado
que é a mão que ampara enquanto conduz às cegas
pela folha em branco...

Tenho medo confesso
de que não me venhas mais esse sorrir mistificado,
solto, de mãos inquietas,ou que elas aquietem-se
somente em repouso entre as minhas..

Tenho medo confesso
de que me sáias apressado
num rompante despreendido,
como cera quente depilando num só golpe arduo
a nesga de amor em mim nascente

não vou enganar-te
tenho medo
da sensação avassaladora que me inunda neste instante,
e dura a vida inteira...

Monique Lima - JUL/05