25 julho 2005

Vitrine Ocular [3]




Ela olha em volta observando cada canto daquele quarto-mundo,reconhecendo ,sem saber, ele em todo lugar.Ele fecha a porta atras dela e os olhos se encontram,é a primeira vez depois de meses,quando ela o abandonara por uma ilusão.E permanecem ali,estáticos,e como um imã seus corpos são atraidos,um frio percorre a espinha chegando à nuca até que ele a convida à sentar.Feito um suspiro que chega ao fim,ela senta ainda suando as mãos,e ele inicia um cortejar sutil ao violão,mostrando como havia aperfeiçoado até então.A noite passa veloz enquanto gargalham nervosos,os labios ansiosos por um toque...apenas um toque.Eles se calam de repente.O coração acelerado,olhos brilhando,mãos tremulas,o desejo saltando aos olhos.Ele larga o violão, e se aproxima um pouco ficando bem em frente a ela quando batem na porta.Eles se recompõem apressados e ele avança em direção a porta.Estão chamando Ela para sair,voltar para casa e se preparar para a festa.Mas Alice pede que ela permaneça ali,afinal estão todos muito atrasados,e Marcos, o dono da casa em que ela estava hospedada ainda iria aprontar-se também.Então ela resolve ficar para poderem sair mais depressa.Alice já estava pronta,e acompanhou Marcos,seu namorado até a casa dele,deixando-os a sós novamente.

Ele entrega a toalha calado,sorri para ela que entra temerosa no banheiro.Toma banho sentindo-se observada,como se as paredes tivessem olhos curiosos.Ao chegar à porta,indo embora sem despedir-se,pois ele havia sumido,sente uma mão tocar suavemente seu ombro.Ela vê um rapaz com camisa listrada dobrada as mangas até o cotovelo,cabelo muito bem penteado que a entorpece pelo perfume arrebatador que ela jamais esqueceria.Ele sorri e a leva até o portão estreito de metal.No meio da escada tocam-se frente a frente suavemente enquanto ele passa para abrir o portão.Eles se deixam com um "até mais",e ela vai repassando em mente os frustantes atos de flerte.



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Vitrine Ocular [2]



Com grande êxtase, e um arrempedimento viceral de não tê-lo feito antes,Ela devora uma a uma as primeiras páginas.Tremendo involuntariamente por conta do frio,ela vai virando as páginas com uma certa dificuldade até que seus olhos desviam das paginas e de Zambraia,e recaem num portão estreito de metal.

No "ton..tontintanton" daquelas cordas de aço que não larga insistente há uns dias,Ele tenta amenizar as dores que fustigam aquele peito atlético,inflamado, maltratando-o.Abandonado o desleixo em que se escodera,cortou o cabelo e fez a barba,numa atitude totalmente impulsiva.Atitudes impulsivas enchem o peito de esperança,talvez fosse isso o que ele buscava através de tal rompante.Mas a campainha toca e é alguém pra lhe falar sobre algo totalmente dispensável naquele sábado em fim de tarde.Ele desce a escada estreita acompanhando a visita inoportuna,ele queria muito estar de volta ao calor do seu quarto,pois a noite estava realmente fria,e dava respostas instintivamente automáticas,pois nem conseguira ater-se ao fato que havia levado o rapaz até ali e tirá-lo do mundo privado em que imergira.A camisa que lhe falta ao corpo o faz tremelicar impaciente,e Ele encerra o assunto com um "depois a gente vê o que vai fazer" e dá uma olhada geral na rua pouco movimentada àquela hora,suspira arfando o peito e sobe a escada de volta à sua casa.

Estática e atenciosa ela acompanha o rapaz se depedir da visita e subir as escadas apressado."É tão belo",Ela pensa, e tenta voltar-se ao livro inutilmente,pois a visão recente dele subindo as escadas tomou conta de toda a sua concentração e ela olha novamente o portão de metal estreito.Fecha o livro na página em que estava lendo e senta-se mais ereta no banco,como se estivesse se preparando pra sair.Tudo nela pedia que fosse lá,subisse os degraus e falasse com ele,mas parecia que suas pernas não obedeciam.Fechou os olhos com as mãos no rosto,refletindo se realmente seria um idéia não tão absurda subir,respirou fundo, levantou-se decidida e andou como se marcha-se imponente em direção a porta de madeira bem talhada no alto da escada.

De fronte à porta ela recua vacilante mas,não,não ia desistir depois de ter chegado tão perto.Já havia desistido outras vezes das quais se arrepende dolorosamente.Bate na porta e abre uma mulher de 'bobys" e maquiagem pela a metade deixando a mostra uma sala cheia de mulheres que conversam estusiasmadas enquanto fazem cabelo,unhas,querem estar impecáveis naquela noite de festa.Logo Ela é conduzida ao quarto do rapaz que a pede que entre.Ela entra temerosa,afinal não é do seu costume entrar assim em quartos masculinos.


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13 julho 2005



"Lá vem o pato,pato aqui pato acolá...
Lá vem o pato para ver o que é que há..."

Numa mistura de gozo,emoção e saudade me fiz criança novamente ao vê-lo cantar a minha infância.A pista virou o pátio,o público outras crianças,estas de todas as idades - cinco,doze,vinte,sessenta e sete,quarenta e dois... - as companhias uma ciranda e tudo tinha cheiro de algodão doce,pipoca e refrigerante.

"Numa folha qualquer/Eu desenho um sol amarelo/e com cinco ou seis retas/é facil fazer um castelo."

Pintei a aquarela da minha meninice no caderno,cheia de patos,sóis sorridentes,casas sem parede e cheia de Toquinho.


E ela ainda vive...ela ainda vive....
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